Dean Cornwell e a idade de ouro da ilustração americana

Categories Arte, Ilustração0 Comments

Recentemente tenho ocupado os meus parcos tempos livres a pesquisar pintores e ilustradores dos quais só conhecia uma ou duas obras, mas ignorava a maior parte do trabalho. Do meu interesse já resultou uma viagem a Londres para ir ver em pessoa, algumas obras de John Singer Sargent  e de John William Waterhouse (o mesmo do quadro das ninfas, sim).

Apesar de ter uma admiração enorme por Norman Rockwell, de uma forma geral desconhecia a maior parte dos outros artistas seus contemporâneos, portanto comecei a procurar (re)descobrir alguns ilustradores e pintores da fase de ouro da ilustração americana.

Dean Cornwell foi um pintor Norte-Americano nascido em 1892, e dominou grande parte do campo da ilustração e da pintura mural durante a sua carreira.

Começou a sua carreira como cartunista no Louisville Herald, tendo-se mudado, em seguida, para Chicago, onde estudou no Chicago Art Institute enquanto começou a colaborar com o Chicago Tribune. No instituto, Cornwell conheceu e estudou com o proeminente professor Harvey Dunn, a quem se juntou quando este se mudou para Nova Iorque para formar um estúdio-escola. Eventualmente, o sucesso de Dean Cornwell fez com que a sua carreira disparasse ele acabasse por desenvolver o seu próprio estilo.

Na altura Dean Cornwell colaborou com todas as principais revistas nos Estados Unidos, tendo produzido trabalhos para Cosmopolitan, Harper’s Bazaar, Redbook, e Good Housekeeping, entre outras. Em 1926, assinou um contrato a longo termo com a revista Cosmopolitan pela quantia astronómica, à época, de 100.00 dólares anuais. Era uma presença assídua na ilustração americana no início do século 20, contribuindo ainda com imagens para as obras de Pearl S. Buck, Lloyd Douglas, Edna Ferber, Ernest Hemingway, W. Somerset Maugham e Owen Wister. A sua popularidade levou a que lhe dessem a alcunha de Dean of Illustrators.

Por volta de 1927, Dean Cornwell decidiu estudar e produzir pinturas murais e para esse efeito viajou para Inglaterra, onde estudou com o famoso muralista Frank Brangwyn durante três anos. Quando regressou aos Estados Unidos, Cromwell pintou um mural para a Biblioteca Pública de Los Angeles, uma pintura gigantesca que conta a história da Califórnia e demorou 5 anos a ser acabada. Pintou ainda murais em Nova Iorque, no edifício das Eastern Airlines (hoje o 10 Rockefeller Plaza), o Raleigh Room no Hotel Warwick, e o mural da General Motors na Feira Mundial de  1939. Também pintou a sede da New England Telephone (agora Verizon) em Boston, o Davidson County Courthouse e o Sevier State Office Building no Tennessee, assim como o Centre William Rappard em Geneva, na Suíça. Cornwell afirmou que nunca fez muito dinheiro na sua carreira como muralista, e que sempre que precisava de dinheiro, retomava a sua carreira como ilustrador.

Dean Cornwell ensinou na Art Students League em Nova Iorque e foi presidente da Sociedade de Ilustradores de 1922 até 1926. Recebeu vários prémios pelos seus trabalhos e a sua pintura “Washing the Savior’s Feet, inicialmente encomendada para a revista Good Housekeeping, foi aceite na exposição da Royal Academy Britânica. Em 1940 foi aceite como académico na National Academy of Design, depois de um período como associado, e foi presidente da Sociedade Nacional de Pintores de Murais.

Em 1959 entrou no Hall of Fame da Sociedade de Ilustradores.

Dean Cornwell morreu em 1960, tendo deixado um legado de milhares de obras, entre ilustrações, pinturas e murais para os mais diversos meios.

Bonus: O artista Francis Vallejo disponibilizou uma colecção de scans de varias revistas ilustradas por Dean Cornwell, vale bem a pena. Dean Cornwell- magazine scans

 

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *